Fazia tempo que não nos víamos. Muito tempo. Da última vez tinha sido atrás do bar, no fundo de uma boate em que eu estava tocando. A última e a primeira, aliás; foi o dia que nos conhecemos.

Eu estava apoiada no bar, ele parou do meu lado. Virei pra reclamar indignada da fumaça do cigarro, então o vi. Me deu um sorriso sacana, e deu outra tragada no cigarro. Dessa vez desviando a fumaça da minha direção. Ergui as sobrancelhas pra ele; para aquela cena, na verdade. O barman me entregou a cerveja, peguei e saí, sem falar nada. Ele percebeu que tinha me ganhado, é claro, aquele sorriso deixava tudo bem claro.

Ele veio me pedir uma música. Não precisava ter chegado tão perto pra isso. Eu o encarei.

– Samantha. Pra você, Sam.

– Dean.

Não contive a gargalhada. Claro que nenhum de nós dois demos os nomes reais. Não fazia a menor diferença. Programei a música que ele queria e… bem, àquela hora, nos fundos de um bar de rock… saliva e gemidos são tão banais.

Mas hoje era diferente. Bem diferente. E eu estava de calça. E sua boca tinha borrado minha maquiagem barata. E não havia fundos de um bar, porque não havia bar. Tínhamos parado o impala preto no meio do nada, uma estradinha de terra batida e o clichê do matagal em volta. Mas quando o tesão grita, é difícil esperar. Principalmente se envolve pessoas que não nasceram para esperar.

Apoiei no carro puxando as calças dele, mas ele foi mais rápido, me jogou de bruços no capô, só me dei conta quando já estava dentro de mim. Rasgando minhas costas entre puxões e unhadas. Minhas mãos deixando histórias em suas coxas. Aqueles segundos de entorpecimento que depois que passam você sequer consegue se lembrar de como foram. Talvez seja a tal ideia de estar completamente entregue a um momento. Ou por ter gozado com ele todo latejando dentro de mim. Acho que só recuperei totalmente a consciência quando já estávamos saindo. Vultos e rastros ao fundo, e ruídos indecifráveis na escuridão que deixávamos pra trás.