E se tu desse um pulo agora a noite? Assim, sem muito lenga-lenga, sem um roteiro pré definido dos dias a diante. Só viesse ser hospede aqui no meu coração – acredite, faz sol aqui dentro. Mas viesse sorrindo. Pois um sorriso custa tão pouco. E o amor, hoje, se faz tão raro.

Mas vem cá, dengo, vem…

Tudo bem tu vir vestida, eu tiro. Vem cambaleando, te seguro. Vem desconfiada, te encorajo.  Pode vir meio sem jeito, aos poucos a gente se ajeita aqui de conchinha. Pode vir pra ser toda minha, não vou te ajuizar. Vem em qualquer estação, lhe torno um verão inteiro.

Te quero por cima, por baixo, de ladinho, encaixando, suando, gemendo, gozando, mas, por favor, não vá embora pela manhã, fica aqui comigo. De face e alma bem juntinha. Desperta e faz o café comigo? Me dá uma mordidinha como se fosse a noite? Deixa eu te comer na pia da cozinha?

Só deixe o momento invadir, eu prometo te fazer sorrir. Me diz seus medos, quero conhecê-los.  Fala quais suas metas aí, eu sento na cama e ouço tudinho.Cola esse teu coraçãozinho surrado no meu. Escorrega na minha coxa, me pega, medevora, faz barulho, mostra que essa bundinha ainda sabe se distrair nas nossas aventuras.

Mas e se eu só quiser te abraçar forte, tornando a cama?

Nada se sabe…

Me mostra a flexibilidade dessa perna ai. Me rapta nela. Deixa minha cintura em custódia da tua. Beija meu pescoço, sobe pra minha orelha e me tira gemidos. Deixa a responsabilidade de te arrepiar comigo, me deixa brincar com tua nuca, me deixa respirar lá bem devagar…  Deixa eu provocar, sem essa de “agora não”, agora sim, depois também. Me deixa provocar conflito aí e te chamar de várias coisas. Gostosa. Tesão. Safada. Se entrega, depois eu te devolvo…

E se eu, no meio de tudo, gargalhasse? Não, não pensa que é uma piada

Só estarei feliz por você estar comigo…

Imagina mais, você modelo, eu poeta, você gostosa, eu amador. Me deixa te admirar aqui em silêncio, eu não nego olhares; me deixa ver teu desfile de modelo até a cozinha; me deixa dar uma elogiada nessa bundinha aí, sem neurose; ver teu riso de alívio; sentir a tua mão na minha. Me arrepia nas costas, evapora comigo no sábado, te trago no domingo ao anoitecer, deixa nossa boca rimar, me suja de amor, canta comigo no chuveiro, me deixa cheiro de café no beijo de bom dia.

Curte o momento, você me disse que não gosta de externar muito para quem está em volta, abre uma exceção, externa nosso momento para as quatro paredes. Vamos em ritmo de melodia. Essa música é nossa, os acordes são os toques. Vamos nos amar e nos acabar no mesmo tom.

Mas, antes de foder minha mente, me deixa com a sensação do abraço casa. Me dá o conforto. Para mim. Pro mundo. Me deixa dividir meus medos, desde a necessidade de aprovação a até o medo de estar indo rápido demais.

Vem aqui em casa, vem?