Às vezes me pego pensando em como seríamos nós.

Se você ia pegar o violão de madrugada pra gente compor uma música digna de Johnny Cash, que nos faria milionários se no dia seguinte não fôssemos esquecer de cada linha e acorde.

Se eu ia pegar seu cigarro e suas camisas pra fazer fotos e te mandar enquanto você trabalha pra te deixar meio sem graça, meio com um sorriso bobo, meio sem juízo.

Se eu bancaria sair dessa cidade das mil cores pra encarar um céu cinza, só porque você ia colorir todas as minhas esquinas.

Se você encararia ouvir s com som de x e outras coisas que incomodam quem vive a principal rixa entre estados desse país só por saber que meu cheiro ia encher sua casa.

Será que a gente ia combinar de ir pra programas de namoro de auditório fingindo que não se conhece? A gente ia ser filho da puta pra caralho, não ia?

Faríamos nossa prometida tatuagem juntos ou ela ficaria pra sempre relegada aos nossos textos?

Fico pensando se a gente ia se entender só com o olhar. E se isso ia dar medo nas pessoas à nossa volta. Aquele ar de que estamos sempre tramando algo bem sujo, sabe?

Se escreveríamos compulsivamente um para o outro, se transformaríamos nossas paredes nas nossas pautas pra aliviar nossas mentes turbulentas.

Se nossas mentes turbulentas tacariam fogo no nosso cotidiano. Se nossos corpos turbulentos tacariam fogo em tudo o que a gente vivesse.

Se tentarmos dançar tango na sala, eu desenhar você, você me fotografar… tudo nos faria cair na gargalhada pelados no tapete com nossas mãos e ebulições suadas virando uma coisa só.

Você estaria sério escrevendo e eu te agarraria com tesão e cerveja, te atrapalhando e derrubando tudo? Ou você viria com folk e seu charme enquanto faço tradução, me fazendo esquecer todas as línguas que não sejam a sua?

Nossas bocas nos continuariam, nos bastariam, nos guardariam, nos protegeriam?

Como nós dois lutaríamos juntos contra os nossos fantasmas? Você já tem um plano? Você quer desenhar ele no meu corpo?

Seríamos destemidos, audaciosos, realizadores e invencíveis só por estarmos juntos?

Seríamos? Seremos?

“We are here to laugh at the odds and live our lives so well that Death will tremble to take us.”