Não dá pra acreditar. Se desse, juro que acreditaria. Fiz esforço incontáveis vezes enquanto, juntos, curtimos o carnaval. Nunca pensei que me daria ao trabalho de descontextualizar letras de funk, nunca pensei que silenciosamente responderia um MC. Cê acredita? Eu não. Não acredito em você, não acredito em nós dois.

Falta razão – não falta sentido. Estamos no brilho do olhar, no abraço apertado, no beijo de cura. Curamos feridas e sofrimentos, cicatrizamos corpos marcados. Somos mais eficientes que bitoca de mãe, mais simples que aperto de mãos, mais gostosos que cafuné de irmão. Sentimos demais, entendemos de menos.

Somos aconchego na chuva de domingo, românticos molhados na esquina da capital. Frio na barriga, calor atrás de orelha. Sorriso esperto e pausas de admiração. Transformamos tudo que é tédio, dor e descrença. Somos o oposto, somos o novo, somos o momento, somos eu e você.

Criamos dias de sol e paisagens de paz. Esquecemos o mundo e nos encontramos bem ali, no emaranhado dos nossos cabelos, na profundidade das nossas blusas. É tudo muito besta, é tudo muito lindo, é tudo surreal.

Na bagunça aqui da rua, só quero que deixem a música tocar. Não sei do que ela fala, mas a pergunta me fascina. Cê acredita? Eu não. Somos perfeitos demais.