Eu juro que ainda me pergunto como não pude reparar no outro lado de você; o incrível e irritante lado do moleque. Acho que me perdi no conjunto altura-química-barba e não percebi que apesar de você foder como um homem, não passa de um menino atrás da puberdade. Todas as lembranças abafadas que carrego comigo e me arrepiam o corpo não valem a raiva que você me fez passar. E embora essa confissão te soe incômoda, eu precisava fazê-la querido, uma vez que nós passamos os últimos dias tendo que resolver mais problemas do que tivemos em meses. Preciso te confessar que estou surpresa e decepcionada, mas comigo – não com você. Quem diria que eu cairia no conto do vigário, e que tu levaria o óscar de melhor ator do ano. E com honras, deixa-me dizer. Você fode como um deus nórdico, mas não vale a pena.

Toda a seriedade e maturidade que a sua idade deveriam lhe trazer, acho que investiram em atributos intelectuais e físicos. Sua barba e seu sorriso mereciam um prêmio e uma salva de palmas, porque quando você a roça no meu ombro eu quase me esqueço da raiva que sinto e deixo você me enrolar. Talvez seja seu cheiro, ou essa coisa de pele – o que não importa agora, pois sua forma de lidar com problemas e tocar uma relação me lembra um menino de doze anos que ainda não saiu do fundamental. Sem contar a história do drama adolescente, aquela burrada de tentar ser o que não é e virar a situação sempre ao teu favor. Apesar da sua mão se encaixar na minha cintura, e sua língua ter se apaixonado pela minha, todo o orgasmo arrebatador que você me deu não pagaria nem de longe o transtorno de ter cruzado teu caminho. Deuses nórdicos provavelmente devem ter recebido uma educação emocional melhor do que a sua. Deles você só herdou a droga dessa barba perfeita.

E não me tome por insensível ou respondona, apesar de eu ser bem insolente na maioria das vezes. Nós já tinha acertado que nossos termos eram simples e bem resolvidos; sexo e sigilo, o preço era simples. Sem julgamentos ou ressalvas. Éramos deuses de nossas próprias vidas, vivendo em nossos mundos… mas você insistiu em remexer tudo, em alterar. Me peguei sentindo-me culpada por ser como sou e não existe nada que pague essa sensação maldita. Nem você e todo esse sexo pervertido que a gente dividiu por meses. Por agora, só me resta o sentimento de quem comprou coelho por lebre e se deixou levar por essa tua cara de irlandês. Daqui algumas semanas eu estarei rindo disso em alguma mesa de bar, mas agora, nada acaba com essa sensação de que apesar de foder muito bem como um homem, você nunca deixou de ser um moleque. O que é mesmo uma pena querido, nosso jogo carnal era mesmo muito bom. Mas moleques não entendem isso, e muito menos sabem dar valor.